creta bloom
viciada em quase · parte iv · o espelho cápsula 11

O Paradoxo do Valor: por que ser “incrível” não garante ser escolhida

Existe um tipo de rejeição que não vem acompanhada de crueldade, nem de acusações, nem de um motivo evidente. E talvez por isso mesmo ela seja tão desorientadora. É quando alguém vai embora dizendo exatamente o contrário do que esperamos ouvir no momento em que somos deixadas: “você é maravilhosa”, “você é incrível”, “você é uma mulher admirável”, “não tem nada de errado com você”. E, ainda assim, a pessoa se retira.

O impacto disso é profundo porque quebra a lógica interna com a qual muitas de nós crescemos: a de que, se eu for boa o suficiente, se eu me esforçar, se eu fizer tudo certo, se eu for gentil, madura, bonita, parceira, competente, então eu serei escolhida. Quando alguém afirma que você é tudo isso e mesmo assim não fica, o pensamento entra em curto-circuito. Não existe onde se segurar. Não existe uma explicação concreta para transformar dor em aprendizado. Não existe um “erro” para corrigir.

E é justamente aí que mora o veneno dessa situação: quando não há uma falha evidente, a mente tenta inventar uma. Porque precisamos de sentido, precisamos de um motivo. E se ninguém aponta um problema específico, o corpo, silenciosamente, conclui: então o problema sou eu, mas eu não sei qual é.

Esse tipo de experiência costuma gerar uma angústia muito particular, uma dúvida que se infiltra por dentro e começa a corroer o chão: “Será que eu não sou suficiente?”, “Será que eu dou demais?”, “Será que eu me coloco num lugar errado?”

E o mais difícil é que essa dúvida aparece mesmo em mulheres que se sentem capazes, independentes, fortes, resolvidas. Mulheres que, do lado de fora, parecem ter uma autoestima

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Algumas palavras só se revelam a quem decide ficar.

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