creta bloom
viciada em quase · parte ii · o nome da coisa cápsula 5

Entre o “Oi” e o “Namoro”: o limbo

Existe um tipo de mal-estar emocional que muita gente reconhece, mas quase ninguém consegue nomear com clareza. Ele não chega como um drama grande, nem como uma crise evidente. Chega como uma sensação persistente de que algo está sempre faltando. Você está numa relação (ou em algo que parece uma relação), mas não consegue se sentir plenamente dentro dela. Há afeto, há presença, há troca, talvez até intimidade, mas não existe profundidade. Não existe aquela segurança emocional que faz alguém pensar: “eu posso contar com isso”. E é justamente nesse ponto que nasce a pergunta silenciosa que vai corroendo por dentro: afinal, o que somos?

Esse desconforto não acontece só em relações amorosas. Ele aparece também nas amizades, no trabalho, em projetos pessoais, em escolhas de vida inteiras. Você pode olhar ao redor e perceber que tem muita coisa acontecendo, mas pouca coisa que realmente sustente. Muitos contatos, muitas conversas, muitas possibilidades. Poucas conexões verdadeiras. Pouca solidez, pouco enraizamento. E isso, com o tempo, gera um vazio que não se resolve com mais estímulo, nem com mais distração, nem com mais opções. Pelo contrário:

Quanto mais opções aparecem, mais confusa a gente fica, porque começa a acreditar que o problema está sempre no “fora”, e não na qualidade do vínculo que escolhe manter.

Uma das marcas mais fortes do nosso tempo é essa cultura da substituição. Não se troca mais algo porque está quebrado. Troca-se porque existe uma versão nova. Não necessariamente melhor, só diferente. Um celular novo, uma cor nova, uma função a mais, um modelo mais recente. Isso parece banal quando falamos de objetos, mas se torna revelador quando a gente percebe que o mesmo mecanismo se infiltra nos relacionamentos. As pessoas deixam de sustentar o que já têm não porque o vínculo está destruído, mas porque aparece uma alternativa mais brilhante, mais excitante, mais nova. E, sem perceber, começam a viver como se estivessem sempre em fase de teste.

O problema é que essa lógica de teste permanente não cria profundidade. Cria

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