O Excesso que Afasta: por que o seu esforço está matando o interesse
Há períodos da vida em que a sensação é a de estar vivendo em modo de sobrevivência. Você acorda já atrasada, já pensando em tudo o que precisa resolver, já com a mente girando como se o dia tivesse começado antes mesmo de você abrir os olhos. A agenda está cheia, o corpo está cansado, e ainda assim existe uma pressão interna que insiste em dizer: dá para fazer mais. Como se o problema não fosse excesso de demandas, mas falta de eficiência. Como se o mundo estivesse correndo e você estivesse apenas tentando não ficar para trás.
Essa é uma experiência tão comum que, em muitos casos, nem chega a ser percebida como um sinal de alerta. A pessoa simplesmente se acostuma. Passa a viver no limite como se fosse normal. E, pior: começa a achar que isso é virtude, que é sinal de maturidade, de responsabilidade, de competência. Porque hoje existe quase um prestígio social em estar exausta. Quando alguém pergunta “como você está?”, responder “estou a mil” parece, estranhamente, uma forma de dizer “estou vencendo”. Como se o estresse fosse prova de relevância.
Mas existe um custo silencioso em fazer demais. E não é apenas um custo físico. É um custo emocional, mental e, muitas vezes, relacional. O excesso de ação, quando vira hábito, não apenas ocupa o tempo: ele distorce a percepção da vida. Ele rouba clareza. Ele rouba presença. E aos poucos cria uma sensação constante de luta, como se cada semana fosse um braço de ferro contra a realidade.
Em fases assim, a mente entra num estado em que tudo parece urgente. Você precisa que o dia tenha trinta e duas horas, precisa que sua energia se multiplique, precisa que seu corpo funcione como se não tivesse limites. Não é apenas cansaço: é como se você estivesse puxando reservas que nem sabia que existiam. A reserva da reserva da reserva. E quanto mais você força, mais imprevistos surgem, como se a vida tivesse uma ironia própria: quanto mais lotada a sua rotina, mais coisas aparecem para testar o que já estava no limite.
É o filho que fica doente, é a vacina que precisa ser feita naquele dia, é um documento que surge de última hora, é uma ligação urgente da escola, é um prazo burocrático que não pode ser adiado. E, mesmo que você tenha tentado parar tudo o que era possível, a vida não para. O mundo continua exigindo. A casa
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