A Química do Errado: por que insistimos no que não nos serve?
Existe um tipo de dor amorosa que confunde porque parece não fazer sentido. É aquela dor que aparece depois de uma relação curta, mal definida, cheia de sinais claros de que “não era isso”. E ainda assim, quando termina, você sente falta. Sente falta de alguém que, racionalmente, você sabe que não era o que queria. E o pior: não era nem o que você gostava tanto assim. Mesmo assim, o corpo sente. O coração sente. A cabeça gira. E a pergunta que fica é sempre a mesma: por quê?
Esse tipo de apego é mais comum do que se imagina. E justamente por ser tão comum, ele revela algo importante sobre a forma como a gente se vincula emocionalmente. Porque nem sempre o que nos prende em alguém é amor, compatibilidade ou admiração. Às vezes, o que nos prende é um mecanismo interno muito mais sutil: a necessidade de sustentar uma sensação, de recuperar um estado emocional, de continuar vivendo uma versão específica de nós mesmas que só aparece na presença daquela pessoa.
Muita gente já viveu isso: começa um envolvimento meio sem querer. A outra pessoa toma a iniciativa, parece simpática, interessante o suficiente, não é alguém que você rejeitaria de cara. Você se deixa levar. Não porque esteja apaixonada, mas porque a relação acontece com certa facilidade. E quando você percebe, já está dentro. Já está esperando mensagem, já está reorganizando a rotina, já está interpretando silêncio.
E aí começa o ciclo.
O que caracteriza esse tipo de vínculo não é a estabilidade. Pelo contrário, é a instabilidade. É o sobe e desce. É a sensação de que qualquer coisinha tem um peso enorme. Um fim de semana sem mensagem vira tragédia. Um tom mais frio vira
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Algumas palavras só se revelam a quem decide ficar.
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