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viciada em quase · parte vi · o abismo cápsula 18

A Sombra da Solidão: o terror silencioso de terminar sozinha(o)

Existe um tipo de medo que quase ninguém admite em voz alta, mas que aparece em algum momento da vida de praticamente todo mundo: o medo de acabar sozinha. Não apenas o medo de não ter alguém ao lado agora, mas o medo mais profundo, quase existencial, de atravessar o tempo inteiro sem encontrar um vínculo verdadeiro, alguém com quem dividir a vida.

Esse tema costuma vir carregado de vergonha, porque a solidão ainda é interpretada como sinal de fracasso. Quando alguém diz “estou sozinha”, o mundo imediatamente responde como se isso fosse um problema a ser consertado. E, como se não bastasse, a cultura inteira parece ter desenvolvido o hábito irritante de transformar esse assunto em um pacote de frases prontas: “você precisa aprender a ficar sozinha”, “você tem que se priorizar”, “quando sua vida estiver completa, alguém aparece”. Tudo isso é dito como se fosse sabedoria universal, mas muitas vezes soa apenas como uma tentativa apressada de calar uma dor que ninguém quer encarar com profundidade.

<<SUBST>>Essa reflexão se tornou especialmente clara a partir de uma conversa aparentemente simples, com uma amiga que, depois de anos de trabalho duro, finalmente tinha conseguido comprar um sítio para passar os fins de semana, daqueles que parecem cenário de cartão-postal: mato, varanda, silêncio, beleza. Um lugar que, por si só, já era uma conquista e uma experiência.<<NOTASUBST: a referência original a “casa de veraneio na praia” foi mantida como tipo de bem (algo aspiracional e reconhecível), mas reformulada como “sítio para passar os fins de semana” e atribuída a “uma amiga”, deixando o relato mais próximo da vivência cotidiana de uma leitora brasileira do interior, sem apelo a cenário europeu ou de elite turística.<<FIMSUBST>> Em uma conversa casual, surgiu a ideia de passar o Ano Novo lá, e ela respondeu com naturalidade que isso não seria mais possível, porque tinha alugado o lugar para outra família. A surpresa foi imediata: por que alguém abriria mão de um lugar assim, ainda mais tendo conquistado há tão pouco tempo?

A resposta foi curta, mas poderosa. Ela explicou que tinha comprado aquele lugar para compartilhar. Para receber amigos, família, para viver aquilo junto com alguém. Mas, na prática, quase ninguém conseguia ir. Cada um tinha trabalho, filhos, compromissos, rotinas. E então ela disse uma frase que ficou ecoando: aquele lugar só fazia sentido se pudesse ser compartilhado. Caso contrário, perdia o valor.

Essa frase tem uma verdade que vai muito além de uma casa de fim de semana: o que conquistamos,

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