creta bloom
viciada em quase · parte ii · o nome da coisa cápsula 6

O “Quase Algo”: por que dói perder o que nunca tivemos?

Existe um tipo de pergunta que raramente desaparece de verdade: ela só fica em silêncio por um tempo, esperando o momento certo para voltar. Costuma reaparecer nos intervalos da vida, naqueles instantes em que a rotina desacelera e finalmente há espaço para ouvir o que estava suspenso. E uma das perguntas mais recorrentes, talvez uma das mais frustrantes, é justamente essa que parece simples, mas carrega um peso enorme: o que foi isso que eu vivi?

Porque existe um tipo de relação que não chega a ser relação. Não vira namoro, não vira compromisso, não vira história consolidada. Mas também não é nada. Ocupa espaço. Ocupa pensamento. Ocupa expectativa. Ocupa ansiedade. E quando termina, a dor não é proporcional ao tempo que durou, mas ao que prometeu. É o fenômeno do “quase”. O famoso “quase algo”.

O curioso é que muita gente pensa que esse tipo de frustração só existe no campo amoroso, mas não. A lógica do “quase” se repete em vários lugares. Acontece quando alguém te chama para um projeto e te faz acreditar que vai dar certo. Quando falam de uma oportunidade, de uma parceria, de uma proposta que parece encaminhada, e nesse ponto você já começa a se visualizar dentro daquela realidade. Começa a se imaginar ali. Começa a montar a cena mental. E, de repente, nada se concretiza. O tempo passa, o entusiasmo esfria, ninguém fala mais nada, e você fica com aquela sensação estranha de ter sido chamada para um palco onde nunca te deixaram entrar.

E isso é muito mais doloroso do que parece. Porque não é apenas uma decepção. É um rompimento invisível. É uma ruptura sem explicação.

É um “não” que não foi dito diretamente,

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Algumas palavras só se revelam a quem decide ficar.

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