Fugir de tudo: do que machuca, mas também da estabilidade
Existe uma frase que, quando a gente escuta pela primeira vez, parece quase uma brincadeira. Um comentário solto, desses que alguém diz numa conversa casual e ninguém leva muito a sério. Mas às vezes uma frase assim carrega uma verdade tão desconfortável que, quando entra na nossa cabeça, não sai mais: “se é bom, eu me entedio; se é ruim, eu me assusto”. E pronto. De repente, uma vida emocional inteira parece caber dentro dessa contradição.
Porque ela não descreve apenas um tipo de escolha amorosa. Ela descreve uma armadilha psicológica comum, silenciosa e profundamente humana: a dificuldade de sustentar a estabilidade sem sentir vazio, e a dificuldade de sustentar a intensidade sem sentir medo.
É como se o coração não encontrasse um meio-termo. Como se a pessoa estivesse sempre oscilando entre dois extremos: ou busca alguém que pareça seguro e previsível, e depois começa a sentir que aquilo não tem vida, ou se envolve com alguém que desperta adrenalina, ansiedade e paixão, e depois entra em pânico porque percebe que aquilo pode destruir sua paz.
E o mais cruel é que, para quem vive isso, a sensação é de estar sempre errando, sempre escolhendo mal, sempre repetindo a mesma história. A pessoa não se sente “má” nem irresponsável. Ela só se sente cansada, como se estivesse presa em um padrão que não entende completamente, mas que a conduz sempre para o mesmo lugar: a insatisfação.
O ponto é que essa frase não fala sobre
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Algumas palavras só se revelam a quem decide ficar.
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