A Tática do Vazio: quando ele some e eu desmorono
Existe uma situação que quase todo mundo já viveu, e que parece pequena quando descrita de fora, mas que por dentro tem um peso emocional enorme: você manda uma mensagem importante para alguém e a pessoa simplesmente não responde. Ou responde dias depois. Ou te deixa no “visto”. Ou desaparece sem explicação, como se o que você disse tivesse sido irrelevante. E o pior é que, enquanto o silêncio se instala, você fica presa naquele espaço suspenso, naquele limbo desconfortável em que nada se resolve e tudo parece aberto, mas ao mesmo tempo já parece decidido.
O que dói não é apenas a ausência de resposta. O que dói é a sensação de insignificância que se infiltra junto com ela. Porque quando você envia uma mensagem, principalmente uma mensagem carregada de intenção, está fazendo um movimento claro: está se aproximando, está oferecendo comunicação, está demonstrando interesse. E quando o outro não responde, o que ele faz não é apenas “não responder”. Ele devolve uma mensagem silenciosa, mas muito nítida: a de que aquilo não tem importância suficiente para merecer atenção. É aí que o golpe acontece. Não é só uma questão prática. É uma questão de valor.
E nesse momento já existe uma fotografia bem clara do que está acontecendo: há um desequilíbrio. Um desnível. Uma diferença evidente entre o quanto você está investindo emocionalmente e o quanto a outra pessoa está devolvendo. E essa diferença, por si só, já deveria acender um alerta. Porque quando uma relação começa a ser marcada por essa assimetria, quando uma se coloca em posição de espera e o outro em posição de controle, o vínculo deixa de ser uma troca e começa a se transformar em jogo.
O problema é que, quando você está dentro da situação, a tendência natural não é parar. É insistir. É mandar outra mensagem. É perguntar se está tudo bem. É checar se a pessoa viu. É esperar um tempo “estratégico” para não parecer ansiosa e então escrever de novo, como se fosse possível controlar a imagem que se passa ao mesmo tempo em que se tenta controlar o resultado. E é exatamente aí que o ciclo começa a se fechar: porque, sem perceber, você entra numa dinâmica em que seu estado emocional passa a girar em torno da resposta do outro.
E quando isso acontece, a outra pessoa já conseguiu algo muito específico: ocupar seu pensamento, seu tempo, sua energia, sua atenção. Conseguiu
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